Arquivo para fevereiro \28\UTC 2010

28
fev
10

Neutrinos: Primeiro Neutrino Observado

Primeiro Evento com Neutrino T2K observado no Super-Kamiokande

http://www.stfc.ac.uk/PMC/PRel/STFC/T2K.aspx

Físicos de particulas do Reino Unido trabalhando no projeto multinacional T2K, que destina-se a detectar algumas das partículas menos compreendidas no universo, ajudaram a rastrear seu primeiro neutrino, que viajou 185 milhas (295 km) sob o Japão. A detecção do neutrino, ao passar do Leste ao Oeste do país significa que o estudo do misterioso fenômeno das oscilações dos neutrinos, que os cientistas esperam que possa jogar mais luz no papel dos neutrinos nos primórdios do universo, pode agora começar. Pode até ajudar a responder por que há mais antimatéria do que matéria no universo.

Percurso do Neutrino

Uma viagem esquemática do neutrino
Credit: T2K Collaboration

T2K (Tokai-to-Kamioka), um experimento internacional liderado pelo Japão e parcialmente financiado pelo Conselho de Ciência e Tecnologia do Reino Unido (STFC), foi construído para nos ajudar a compreender, com precisão sem precedentes, mais sobre as estranhas propriedades do intrigante neutrino. ” Neutrinos são os fantasmas esquivos da física de partículas”, diz o porta-voz do TK2,  Takashi Kobayashi.” Existem três tipos de neutrinos, chamados neutrinos elétron, neutrinos muon e neutrinos tau  que se acreditava serem imutáveis. Este é um grande passo à frente, trabalhamos muito, por mais de dez anos, para que isso acontecesse.”

Medições das oscilações, do até então não observado neutrino, começarão agora e serão feitas a partir de Tokai village (no norte de Tóquio), o que poderá fazer com que uma pequena fração dos neutrinos muons produzidos se transforme em neutrinos elétrons quando as partículas alcançarem o gigante detector subterrâneo Super-Kamiokande no outro lado do Japão

“Observar este novo tipo de oscilação seria abrir o prospecto de comparação das oscilações de neutrinos e antineutrinos, o que muitos teóricos acreditam que possa ter relação com um dos maiores mistérios da física fundamental – Por que há mais antimatéria do que matéria no universo?” diz o Professor Dave Wark do  Imperial College London e do Laboratório STFC’s Rutherford Appleton, “ A observação do primeiro neutrino significa que a caçada apenas começou!”

Interagindo de forma muito fraca com a matéria, neutrinos podem atravessar todo o planeta Terra com muito menor perda de intensidade do que a luz passando por uma janela. A enorme fraqueza de suas interações permite que os físicos façam previsões que poderão ser muito precisas de seu comportamento. “As primeiras medições do fluxo de neutrinos vindos das reações termonucleares que energizam nosso sol foram como um choque porque ficaram muito abaixo do que o previsto.”, disse o Professor Wark.

Uma segunda anomalia foi então claramente demonstrada pelo Super-Kamiokande, quando mostrou que o fluxo de diferentes tipos de neutrinos gerados em nossa atmosfera por interações de raios cósmicos era diferente, dependendo se os neutrinos vinham de cima ou de baixo (o que não deveria ser possível de acordo com nosso conhecimento da física de partículas).

Os primeiros resultados científicos deste experimentos são esperados para daqui a alguns meses, mas levará muitos anos antes que alguma resposta definitiva seja encontrada.

Abaixo uma tabela com as doze partículas fundamentais que constituem a matéria entre elas os neutrinos.

Modelo Padrão das Partículas

www.guia.heu.nom.br/massa_dos_neutrinos.htm
Anúncios
19
fev
10

A Sonda Mars Express e os mistérios de Fobos

A sonda Mars Express (NASA/ESA)

No  dia 16 de fevereiro de 2010 a sonda Mars Express começou a sobrevoar Fobos, a maior lua de Marte.

A missão atingiu seu auge no dia 3 de Março,quando passou a uma distância de apenas 50 quilômetros do satélite e se encerrou no dia 26 de março.

Já no dia 9 de janeiro de 2011, a sonda se aproximou a uma distância de 111 km e fez mais imagens. Aqui está uma delas.

Imagem feita à 100 km de distância em Janeiro de 2011

Mais imagens você consegue neste link: http://www.esa.int/esaCP/SEMIPY6SXIG_index_1.html#subhead1

A ESA(Agência Espacial Européia) pretende descobrir a origem de Fobos e perceber seu processo de formação para conhecer melhor este enigmático satélite de Marte, estudando inclusive seu campo de gravidade.

Por passar tão perto de Fobos, a sonda pode medir as diferentes intensidades de atração gravitacional, dependendo da parte de Fobos  que estiver sobrevoando, o que poderá fornecer indícios de sua estrutura interna. O radar MARSIS opera de forma a ver o interior do satélite, procurando por estruturas ou pistas sobre sua composição interna.

A origem de Fobos é um mistério para os astrônomos, que sugerem três possibilidades: A primeira é a de que Fobos é um asteróide capturado, a segunda é a de que se criou no mesmo local e ao mesmo tempo que Marte e a terceira é a de que tenha se formado depois de Marte, devido a detritos lançados pelo planeta quando um grande meteorito o atingiu.

Mas as curiosidades sobre Fobos não param por aí.

Vistos da Terra todos os objetos celestes nascem ao leste e se põe a oeste. Isto não é verdade em Marte. Fobos vai em direção contrária.

Se você estivesse na superfície do planeta vermelho, Fobos nasceria a oeste. Teria aparentemente um terço do tamanho de nossa lua como vista da superfície terrestre e cruzaria o céu marciano em movimento contrário ao fluxo de outros objetos celestes antes de se pôr a leste. Isto ocorre porque Fobos orbita incrivelmente próximo a Marte, a uma altitude de aproximadamente 9.400 km (nossa lua orbita a 385.000 km da Terra). Para manter esta órbita tão baixa, Phobos se move tão rápido que ultrapassa a rotação do planeta. Assim enquanto Marte tem uma rotação de 24 horas e 37 minutos, Fobos completa uma órbita em apenas 7 horas e 39 minutos.

Além disso ainda há mais um fato curioso: Por ter sua órbita ser tão baixa acima do equador, o satélite nunca pode ser visto dos círculos polares marcianos.

O enigmático satélite Fobos (Nasa)

Fonte: ESA

Imagem de Phobos feita pela Mars Express em 2010

09
fev
10

FORMAÇÃO DE GALÁXIAS

Fevereiro de 2010

Usando as imagens do Telescópio Hubble, astrônomos criaram, pela primeira vez, um censo demográfico de tipos e formas de galáxias desde antes da existência da Terra e do Sol até os dias de hoje. Os resultados mostram que, ao contrário do que se pensava, mais de metade das galáxias de hoje tinham formatos irregulares (peculiares) há apenas 6 bilhões de anos, o que, se confirmado, realça a importância das colisões e fusões no passado recente de muitas galáxias. Também fornece pistas para a condição única de nossa própria galáxia, a Via Láctea.

A morfologia das Galáxias, ou o estudo da formação das galáxias e de suas formas é um tópico crítico e muito debatido em astronomia. Uma importante ferramenta para este estudo é o diagrama de classificação de galáxias de Hubble, o “diagrama da forquilha”, um esquema de classificação inventado em 1926 pelo mesmo Edwin Hubble que dá nome ao telescópio.

Uma equipe de astrônomos europeus liderados por François Hammer , do Observatório de Paris, completou pela primeira vez um censo demográfico de tipos de galáxias em dois pontos diferentes da história do Universo – criando, na verdade, dois esquemas de Hubble- que ajudam a explicar como as galáxias se formam. Neste esquema, os pesquisadores apresentaram amostras de 116 galáxias locais e 148 galáxias distantes.

Diagrama de Classificação de Galáxias

Entendendo o diagrama:

À esquerda do diagrama temos as galáxias elípticas, representadas pela letra E, caminhando para direita encontraremos as galáxias S0 que possuem um bojo dominante, mas com um disco perceptível. A partir daí o diagrama se bifurca entrando na sequencia das espirais. Na parte superior ficam as galáxias consideradas espirais normais, com braços espirais que emanam das regiões centrais da galáxia. Na parte inferior ficam as espirais barradas, cujos braços se iniciam a partir de uma estrutura linear que recebe o nome de barra.

As espirais normais se subdividem em Sa, Sb, Sc e Sd, letras que indicam a importância do disco e do bojo. Uma Sa tem um bojo bem brilhante comparado ao disco, enquanto que uma Sd quase não tem bojo, praticamente só tem disco. Outro critério que geralmente acompanha a relação bojo/disco é o enrolamento dos braços espirais. Nas Sc ou Sd eles são mais abertos, enquanto que numa Sa os braços são mais enrolados sobre si mesmos. As espirais barradas também se subdividem nos mesmos subgrupos, mas têm um B adicionado à classificação: SBa, SBb, SBc e SBd.

Finalmente, no extremo direito do diagrama de Hubble, situam-se as chamadas galáxias irregulares.

Fontes: http://www.spacetelescope.org/news/html/heic1002.html

http://www.if.ufrgs.br/oei/exp/morf.htm