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GALÁXIA ANÃ DO ESCULTOR: Encontrada a Primeira Estrela Primitiva

Encontrada a Primeira Estrela Primitiva

Cambridge, MA – Astrônomos descobriram uma relíquia dos primórdios do universo- uma estrela que pode estar entre as da segunda geração de estrelas formadas após o Big Bang. Localizada na galáxia anã do Escultor a aproximadamente 290.000 anos-luz de distância, a estrela tem uma composição química extraordianarimente similar a das estrelas mais velhas da Via Láctea. Sua presença apóia a teoria de que nossa galáxia passou por uma fase canibal, e cresceu até atingir seu tamanho atual engolindo galáxias anãs e outros blocos de construção de galáxias.
“Esta estrela é quase tão velha quanto o universo em si” diz a astrônoma Anna Frebel do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, autora chefe do estudo que relata o achado.
Galáxias anãs são pequenas galáxias com apenas alguns bilhões de estrelas, comparadas às centenas de bilhões existentes na Via Láctea. No modelo bottom-up de formação de galáxias, galáxias grandes obtiveram seus tamanhos ao absorverem suas vizinhas menores.
“Se você visse um filme de volta ao tempo de nossa galáxia, você veria um enxame de galáxias anãs pairando em volta como abelhas em torno da colméia” explicou Frebel. “ Com o tempo, estas galáxias colidiram e misturaram suas estrelas para compor uma galáxia maior – a Via Láctea.”

Exemplo de galáxias se fundindo Arp 87

Se galáxias anãs são realmente os blocos de construção de galáxias maiores, então o mesmo tipo de estrelas deveria ser encontrada nos dois tipos de galáxias, especialmente no caso de estrelas velhas pobres em metal. Para os astrônomos, metais são elementos químicos mais pesados que o nitrogênio e o hélio. Por serem produtos da evolução estelar, os metais eram raros no início do universo, e então as estrelas mais velhas tendem a ser pobres em metal.
As estrelas velhas no halo da Via Láctea podem ser extremamente pobres em metal, com uma abundância de metal de 100.000 vezes menor que no Sol, que é uma estrela tipicamente mais jovem, rica em metal. Pesquisas na última década, entretanto, falharam em provar que estrelas extremamente pobres em metal tenham formado galáxias anãs
A Via Láctea parece ter estrelas que eram muito mais primitivas que qualquer estrela das galáxias anãs.” Diz o co-autor Josh Simon do Observatorio do Carnegie Institution. “Se galáxias anãs foram os componentes originais da Via Láctea, é difícil entender porque elas não tem estrelas similares.”
A equipe suspeita que os métodos usados para encontrar estrelas pobres em metal nas galáxias anãs foram tendenciosos de forma que as pesquisas perderam a maioria das estrelas pobres em metal. O membro da equipe Evan Kirby, astrônomo desenvolveu um método para estimar as quantidades de metal de um grande número de estrelas ao mesmo tempo, tornando possível uma busca eficiente pelas estrelas mais pobres em metal nas galáxias anãs.
“ Foi mais difícil que achar uma agulha no palheiro. Nós precisamos achar uma agulha numa pilha de agulhas”, disse Kirby. “ Nós selecionamos centenas de candidatas para encontrar nosso alvo.
Entre as estrelas encontradas na galáxia anã do Escultor uma tinha uma maginitude minima de 18 e foi denominada S1020549. Medições espectroscópicas da luz da estrela com o telescópio Carnegie’s Magellan-Clay em Las Campanas, Chile, determinou que tinha uma quantidade de metal 6.000 menor que a do Sol,; isto é cinco vezes menor que qualquer outra estrela já encontrada até hoje numa galáxia anã.
Os pesquisadores mediram a quantidade total de metal da S1020549 a partir de elementos como o magnésio, o cálcio, o titânio e o ferro. A quantidade padrão se assemelha a das estrelas mais velhas da Via Láctea, fornecendo o primeiro embasamento científico para a idéia de que estas estrelas da galáxia se formaram originalmente em galáxias anãs.
Os pesquisadores esperam que novas buscas venham a descobrir mais estrelas pobres em metal em galáxias anãs, embora a distância e pouco brilho das estrelas seja um desafio para os telescópios ópticos atuais. A próxima geração de telescópios ópticos extremamente grandes, como o proposto Giant Magellan Telescope de 24,5 metros, equipado com espectografos de alta resolução abrirá uma nova janela para o estudo do crescimento de galáxias pela química de suas estrelas.
Enquanto isso, diz Simon, a pequeníssima quantidade de metal em S1020549 representa um avanço na compreensão de como nossa galáxia foi montada. “ A idéia original de que o halo da Via Láctea formou-se pela destruição de muitas galáxias anãs parece realmente estar correta.

NGC 253 Sculptor Galaxy

fonte http://www.cfa.harvard.edu/news/2010/pr201003.html

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