Arquivo para abril \21\UTC 2010

21
abr
10

Carta de Caroline Herschel

Caroline Herschel

Há poucos dias estive numa palestra ministrada brilhantemente pelo Professor Tasso Napoleão sobre “Mulheres na Astronomia”.  Ao encerrar a palestra, professor Tasso leu um trecho de uma carta de Caroline Herschel a uma irmã e foi impossível para mim conter as lágrimas. Na carta, Caroline aos poucos vai relatando sua experiência como astrônoma enquanto relembra os feitos de outras que vieram antes dela. Compartilho com voces minha emoção e renovo meu apreço e admiração por essa mulher incomparável.

A seguir a carta em inglês e abaixo sua tradução.

Letter from Caroline Herschel to her sister (1750-1848):

William is away, and I am minding the heavens. I have discovered eight new comets and three nebulae never before seen by man, and I am preparing an Index to Flamsteed’s observations, together with a catalogue of 560 stars omitted from the British Catalogue, plus a list of errata in that publication. William says I have a way with numbers, so I handle all the necessary reductions and calculations. I also plan every night’s observation schedule, for he says my intuition helps me turn the telescope to discover star cluster after star cluster. I have helped him polish the mirrors and lenses of our new telescope. It is the largest in existence. Can you imagine the thrill of turning it to some new corner of the heavens to see something never before seen from earth? I actually like that he is busy with the Royal society and his club, for when I finish my other work I can spend all night sweeping the heavens. Sometimes when I am alone in the dark, and the universe reveals yet another secret, I say the names of my long, lost sisters, forgotten in the books that record our science — Aganice of Thessaly,
Hypatia,
Hildegard,
Catherina Hevelius,
— as if the stars themselves could remember. Did you know that Hildegard proposed a heliocentric universe 300 years before Copernicus? that she wrote of universal gravitation 500 years before Newton? But who would listen to her? She was just a nun, a woman. What is our age, if that age was dark? As for my name, it will also be forgotten, but I am not accused of being a sorceress, like Aganice, and the Christians do not threaten to drag me to church, to murder me, like they did Hypatia of Alexandria, the eloquent, young woman who devised the instruments used to accurately measure the position and motion of heavenly bodies. However long we live, life is short, so I work. And however important man becomes, he is nothing compared to the stars. There are secrets, dear sister, and it is for us to reveal them. Your name, like mine, is a song. Caroline

Carta de Caroline Herschel para sua irmã:

William está fora e eu estou vigiando o céu. Descobri oito novos cometas e três nebulosas nunca vistas pelo homem antes e estou preparando um Índice para as observações de Flamsteed, junto com um catálogo de 560 estrelas omitidas do Catálogo Britânico e mais uma lista de erratas desta publicação. William diz que eu tenho um jeito com números, que eu manipulo bem todas as reduções e cálculos necessários. Eu também faço o planejamento das observações de cada noite, ele diz que minha intuição me ajuda a virar o telescópio para conseguir descobrir um aglomerado de estrelas após o outro.

Eu o ajudei a polir os espelhos e lentes de nosso novo telescópio. É o maior que existe. Você consegue imaginar a emoção de apontá-lo para algum canto do céu para poder ver algo que nunca tenha sido visto antes da Terra? Eu, na verdade, gosto que ele esteja ocupado com a Royal Society e seu clube, porque quando eu termino meus outros afazeres posso passar a noite toda varrendo o céu.

Às vezes quando estou sozinha no escuro e o universo revela ainda mais um segredo eu digo o nome de minhas distantes, perdidas irmãs, esquecidas nos livros que registram nossa ciência –

Aganice of Thessaly,
Hypatia,
Hildegard,
Catherina Hevelius,

como se as estrelas mesmo pudessem se lembrar delas. Você sabia que Hildegard propôs um universo heliocêntrico 300 anos antes de Copérnico? Que ela escreveu a lei de gravitação universal 500 anos antes de Newton? Mas quem daria ouvidos a ela? Ela era apenas uma freira, uma mulher.

O que é a nossa época, se aquela época era negra? Quanto ao meu nome,também será esquecido, mas não sou acusada de ser uma feiticeira , como Aganice , e os cristãos não ameaçam me arrastar para a igreja para me assassinar, como fizeram com Hypatia de Alexandria, a eloqüente jovem que idealizou intrumentos para medir precisamente a posição e o movimento de corpos celestes.

Não importa o quanto vivamos, a vida é curta, então eu trabalho. E por mais que o homem se torne importante, ele não é nada comparado às estrelas. Existem segredos, querida irmã, e nós devemos revelá-los. Seu nome, como o meu, é uma canção.

Caroline

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15
abr
10

Exoplanetas e a teoria de formação planetária

Virando a teoria planetária de cabeça para baixo

Fonte: Royal Astronomical Society Press Release em 13 de abril de 2010

Adaptado

Cientistas anunciaram a descoberta de nove novos exoplanetas. Quando estes novos resultados foram combinados com observações anteriores de exoplanetas, astrônomos se surpreenderam ao encontrar que seis de uma amostra maior de 27 foram encontrados orbitando na direção oposta à rotação de sua estrela hospedeira – exatamente o oposto do que se vê em nosso Sistema Solar. As novas descobertas trazem um desafio sério e inesperado às atuais teorias de formação planetária. Elas também sugerem que é pouco provável que sistemas com exoplanetas do tipo conhecido como Hot Jupiters contenham planetas parecidos com a Terra. (…)

“ Esta é uma verdadeira bomba que estamos deixando cair no campo dos exoplanetas” diz Amaury Triaud, um aluno PhD no Geneva Observatory que, com Andrew Cameron e Didier Queloz,  que comanda a maior parte do projeto observacional

Acredita-se que os planetas se formam num disco de gás e poeira que circulam uma estrela jovem. Esse disco proto-planetário gira na mesma direção que a estrela em si e até agora esperava-se que os planetas que se formam a partir do disco o orbitassem mais ou menos no mesmo plano e e que se movessem por suas órbitas na mesma direção que a da rotação de sua estrela.É isso o que ocorre nos planetas do Sistema Solar. (…)

Surpreendentemente quando a equipe de astrônomos combinou as novas informações com outras mais antigas descobriram que mais da metade de todos os Hot Jupiters estudados estão na verdade desalinhados com o eixo de rotação de sua estrela principal . Eles até descobriram que seis exoplanetas nesse estudo tem movimento retrógrado: eles orbitam sua estrela na “direção errada”.

Nos 15 anos desde que os primeiros Hot Júpiters foram descobertos, sua origem tem sido um mistério. São planetas com massas similares ou maiores que a de Júpiter, mas que orbitam muito próximos ao seu sol. Supõem-se que os núcleos desses planetas gigantes sejam formados por uma mistura de rocha e partículas de gelo encontradas apenas nas regiões frias mais externas de sistemas planetários. Hot Jupiters devem ,portanto, se formar longe de sua estrela e consequentemente migrar para o interior para órbitas cada vez mais próximas de sua estrela principal . Muitos astrônomos acreditavam que isso se devia a interações gravitacionais com o disco de poeira do qual se formaram. Este cenário acontece por alguns bilhões de anos e resulta numa órbita alinhada com com o eixo de rotação da estrela. Permitiria também que planetas como a Terra se formassem subsequentemente, mas infelizmente isto não pode ser levado em conta para as novas obeservações.

Uma explicação possível para o movimento dos novos planetas retrógrados é que a proximidade dos Hot Júpiter de suas estrelas não se deve às interações com o disco de poeira , mas a um processo de evolução mais lento que envolve um cabo-de-guerra com outros companheiros planetários ou estelares por milhões e milhões de anos.Depois que estas perturbações jogassem o exoplaneta gigante numa órbita inclinada e alongada, ele sofreria uma friçção perdendo energia toda vez que passasse perto da estrela. Finalmente estacionaria numa óribita quase circular,mas aleatoriamente inclinada próxima à estrela. (…)

Em dois dos novos planetas retrógrados foram descobertos  companheiros massivos que poderiam potencialmente ser a causa desta alteração.Esses novos resultados vão alavancar uma pesquisa intensa por outros corpos em outros sistemas planetários.

Representação artística de planetas com movimento retrógrado

fonte: Credit: ESO/L. Calçada

05
abr
10

Formação Planetária no Sistema Solar

Há aproximadamente 5 bilhões de anos atrás, uma nuvem de gás e poeira proveniente da Via Láctea começou a se contrair e girar devido à atração gravitacional no núcleo da nuvem. `A medida que a nuvem colapsava, sua rotação  aumentava e, com o passar do tempo, a massa de gás rotante assumiu uma forma de um imenso disco achatado.

A massa central  esquentava cada vez mais e reações termo-nucleares passaram a acontecer até dar origem ao nosso Sol, enquanto as regiões externas esfriavam . Com o tempo os grãos de poeira e gás se aglomeraram formando os chamados planestimais, pequenos corpos semelhantes aos planetas como conhecemos hoje. Os planestimais colidiam, se chocavam e os maiores absorviam os menores até que reuniram matéria suficiente para se transformarem nos planetas que compõe nosso Sistema Solar.

Teoria da formação dos planestimais

fonte http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://planetmars.sites.uol.com.br/origem/origem02.jpg&imgrefurl=http://planetmars.sites.uol.com.br/origem/origem.htm&usg=__BT0ZlmHfSbDYdGQ_HQMRA7rwkXQ=&h=506&w=909&sz=68&hl=pt-BR&

Esta teoria  pode ser observada imagem feita da majestosa nebulosa de Orion abaixo:

Formação planetária na nebulosa de Órion

Os planetas que se formaram nas regiões mais internas e portanto mais quentes do Sistema Solar não tinham condições de condensar seus materiais mais voláteis, devido às altas temperaturas e formaram os planetas rochosos ou telúricos, compostos basicamente de silicatos e metais pesados _ Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Os planetas mais externos,  a partir de Júpiter, alguns com massas até 10 vezes maiores que a massa da Terra, ficaram grandes a ponto de atrair o gás ao seu redor formando assim os planetas gasosos ou jovianos.

Nova classificação dos planetas do Sistema Solar

Hoje essa teoria tem sido abalada pelas recentes descobertas sobre os planetas extra-solares. Mas isto é assunto para outro post…

04
abr
10

Principais satélites do sistema solar

Existem muitos satélites fascinantes no sistema solar: as intrigantes linhas na superfície de Europa, a atividade vulcânica extrema de Io, os lagos de hidrocarbonetos de Titã, sem falar de Fobos para o qual há um post inteiro neste blog. Veja abaixo alguns dos mais importantes de acordo com o planeta que orbitam.

É importante lembrar que este grupo é uma pequena amostragem, uma vez que só Júpiter, por exemplo, já conta com 63 satélites identificados e Saturno, 60.

Principais satélites naturais do Sistema Solar

01
abr
10

Explorando Carina pelo tato

Imagem de Carina táti

Fonte: http://www.portaltotheuniverse.org/news/view/51175/

Texto adaptado

As dramática visão do telescópio Hubble da  Nebulosa de Carina, uma gigantesca nuvem de poeira e gás fervilhando de intense atividade de formação estelar, é uma festa para os olhos. Estrelas jovens cheias de energia estão esculpindo uma fantasiosa paisagem de bolhas, vales, montanhas e pilares. Agora esta terra da fantasia espacial tornou-se visível para aqueles que não podem explorar a imagem pela visão.

Max Mutchler, um pesquisador e cientista do Space Telescope Science Institute em Baltimore, e Noreen Grice, presidente da You Can Do Astronomy LLC and autora de vários livros táteis de astronomia, criaram uma imagem tátil da Nebulosa de Carina que está atraindo a todos, independentemente de sua habilidade visual.

Localizada a 7.500 anos-luz da Terra,  a nebulosa  tem 300 anos luz de largura, mas o Hubble capturou imagens de 50 anos-luz  de largura de sua região central.

Quando Mutchler decidiu fazer uma imagem tátil de Carina no ano passado, ele imediatamente ligou para sua amiga Grice, que é uma pioneira no design de imagens astronômicas para cegos.Mas Grice diz que a imagem da nebulosa é tão rica visualmente que se tornou um grande desafio produzir uma imagem tátil que traduzisse sua beleza e complexidade.

“Quando olhei a imagem pela primeira vez, não sabia em que focar”, ela lembra “ Para traduzir a imagem eu tive que me certificar de que eu compreendia os componentes individuais que compunham a imagem. Havia tanta coisa para ver”. A parceria  Grice-Mutchler tem funcionado tão bem que a dupla espera produzir mais imagens táteis do Hubble. “Seria maravilhoso fazer um catálogo destas imagens para os deficientes visuais.” diz Mutchler .

CONTATO

Donna Weaver
Space Telescope Science Institute, Baltimore, Md.
410-338-4493
dweaver@stsci.edu

Max Mutchler
Space Telescope Science Institute, Baltimore, Md.
410-338-1321
mutchler@stsci.edu