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M1: Nebulosa do Caranguejo surpreende os astrônomos

Situada a 6,500 anos luz da Terra, na constelação de Touro, a nebulosa do Caranguejo é um dos objetos mais estudados no céu. Pudera! É o primeiro objeto associado à explosão de uma supernova, o primeiro objeto do catálogo Messier, isso sem falar em seu famoso  pulsar. Até esta semana uma das palavra mais normalmente associadas à nebulosa era “estabilidade“. Mas isso está prestes a mudar.

Neste post falo das novidades sobre M1 precedido de um breve histórico.

fontes:

http://www.uranometrianova.pro.br/astronomia/AA004/nebcaranguejo.htm
http://universoinimaginavel.blogspot.com/2009/08/nebulosa-do-caranguejo-tambem-conhecida.html
seds.org/messier/m/m001.htm
http://www.solstation.com/x-objects/crab-neb.htm
http://www.nasa.gov/mission_pages/GLAST/news/crab-nebula-surprise.html

M1: Nebulosa do Caranguejo (Crab Nebula)

Registros históricos revelaram que uma nova estrela brilhante o suficiente para ser vista de dia tinha sido registrada na mesma parte do céu por astrônomos chineses e árabes em 1054. Foi também avistada e registrada em pinturas rupestres  por povos nativos norte-americanos.

 

Pintura rupestre registrando a supernova de M1

Crédito imagem: theintellectualdevotional.com

Dada sua grande distância, a “estrela aparecida” de dia, observada por esses astrônomos, só poderia ter sido uma supernova—uma estrela maciça explodindo, tendo esgotado  seu total de energia da fusão nuclear e colapsado em si mesma. A supernova foi visível a olho nu por cerca de dois anos após sua primeira observação. Graças a essas observações, a Nebulosa do Caranguejo se tornou o primeiro objeto astronômico reconhecido como sendo ligado a uma explosão supernova.

Análises recentes dos registros históricos descobriram que a supernova que criou a Nebulosa do Caranguejo provavelmente ocorreu em abril ou no começo de maio, chegando ao seu brilho máximo de entre magnitude aparente −7 e −4,5 (mais brilhante do que qualquer coisa no céu noturno, exceto pela Lua) em julho.

Em 28 de agosto de 1758, Charles Joseph Messier viu esta nebulosa e pensou tratar-se de um cometa. Ao perceber que não houve movimentação com o passar dos dias, Messier registrou este objeto em 12 de setembro de 1758, o que lhe permitiu iniciar o seu famoso catálogo.

O material ejetado pela estrela explosiva espalhou-se no espaço cósmico por mais ou menos 10 anos-luz de diâmetro, e ainda se expande a uma velocidade de cerca de 1800 quilômetros por segundo. Em 1968, foi descoberto, no interior desta nebulosa, um Pulsar que gira rapidamente em torno de seu eixo a uma velocidade de 30 vezes por segundo, diminuindo gradativamente esta velocidade em razão da interação magnética com a nebulosa.

A Nebulosa do Caranguejo foi, em 1948, identificada com uma potente fonte de emissão de ondas de rádio, designada primeiramente como Taurus A e posteriormente como 3C144 ( nomenclatura que designa a 144a fonte do 3º catálogo de rádio-fontes da Universidade de Cambridge, na Inglaterra ). Em 1963, o Naval Research Laboratory, utilizando um foguete lançado a grande altitude e equipado para a detecção de fontes de raios X, encontrou na nebulosa uma poderosa fonte deles que recebeu a designação de Taurus X-1.

Medidas feitas durante a ocultação da nebulosa pela Lua em 05 de julho de 1964 e repetidas em 1974 e 1975, demonstraram que a emissão dos raios-X provêm de uma região com, no mínimo, 2 minutos de arco de tamanho, e a energia emitida em raios-X é cerca de 100 vezes maior que a emitida no visível sendo que esta é equivalente a 1000 vezes a luminosidade do Sol.

Sua estabilidade na emssão de raios X é tamanha que serve mesmo para calibrar detectores de raios X em satélites e foguetes e existe até uma medida que leva seu nome: milicrab

Bem… servia.

Esta semana os astrônomos foram surpreendidos com a notícia de que dados obtidos a partir de vários satélites da Nasa revelaram mudanças inesperadas na sua emissão de raios X. Os resultados confirmaram um real declínio de intensidade de aproximadamente 7 % em energias entre  15,000 to 50,000 eV  num período de dois anos. Também mostram que o brilho tem oscilado em  3.5 % ao ano desde 1999.
Os cientistas dizem que os astrônomos terão que encontrar novas formas de calibrar seus instrumentos de vôo e explorar os possíveis efeitos da inconstância da Nebulosa em descobertas antigas

O Large Area Telescope também  detectou explosões de raios gama sem precedentes da Nebulosa do Caranguejo, demonstrando que M1 também é surpreendentemente variável em energias muito mais altas.

A força da nebulosa vem de seu pulsar que emite pulsos rápidos e regulares de raio X e radio . A emissão em pulsos não mostra mudanças associadas ao declínio, não podendo assim ser a fonte das oscilações. Suspeita-se que estas mudanças venham ocorrendo no centro da nebulosa.
Veja no vídeo abaixo mais detalhes sobre essa descoberta. (ou no link: http://www.youtube.com/watch?v=0PxR3EtoTnc)

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