Arquivo para março \31\UTC 2011

31
mar
11

Simulador do Sistema Solar

Recebi uma indicação sobre um simulador do Sistema Solar , O Solar System Scope e gostaria de recomendá-lo aqui.

O simulador propicia várias possibilidades de interatividade e três pontos de vista de observação do Sistema Solar. É possível simular o movimento dos planetas ou aproximar-se deles, ver algumas estrelas e constelações, entre outras ferramentas, e no futuro mais funções estarão disponíveis.

Acredito que esse site, além de divertido, pode ser muito útil para educadores e para iniciantes em astronomia.

Explore todas as possibilidades e divirta-se!!!

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26
mar
11

Hora do Planeta:Efemérides


Hoje, às 20:30 horas, em todo o mundo, pessoas apagarão as luzes por uma hora. Que ótima oportunidade para observarmos o céu!

O astrônomo Ednilson Oliveira preparou o roteiro de observação que posto  abaixo. Os mapas são feitos a partir do ponto de vista do observador em São Paulo.

Vamos, então, as efemérides e boa observação!

O mapa abaixo foi criado usando o software astronômico Stellarium, foi criado um mapa que representa o dia 23 de março às 20:30h, HORA DO PLANETA.

Mapa do céu que representa o dia 13 de março às 20:30 h, aqui vemos perto do centro a estrela Sírius que é a estrela de maior brilho aparente do céu noturno, ele está na constelação de Cão Maior, do lado dela à direita vemos a constelação de Órion (onde se observam as Três Marias) com a brilhante estrela Rigel. Abaixo o mesmo mapa, mas com as linhas representativas das constelações, seus nomes e a linha da ecliptica (em vermelho). Destaca-se o planeta Saturno localizado no mapa. Os pontos cardeais são representados em vermelho no mapa (E – Leste, O – Oeste, N – Norte e S – Sul).

Região Nordeste do dia 26 de março às 20:300 h, vemos Saturno na constelação de Virgem, acima e a esquerda vemos a constelação do Leão onde a estrela mais brilhante chama-se Regulus.

Às 20:30 h já é possível observar na constelação de Virgem o planeta Saturno, que nasce por volta das 18:41h e nesse horário das 20:30 encontra-se há 25 graus de altura do horizonte leste. Você poderá observar seus anéis com um pequeno telescópio de 60 mm de objetiva e com aumentos da ordem de 40 x. Mas com um telescópio de maior porte, 200 mm de abertura, e aumentos da ordem de 120x você terá a visão de seus principais satélites, imagem abaixo, vemos cinco de seus principais satélites, com destaque no satélite Titã.

Saturno e seus principais satélites, imagem para o dia 26 de março as 20:30 h.

 

Região Oeste do dia 26 de março às 20:30 h

Região Oeste do dia 26 de março às 20:30 h, vemos  a constelação de Órion, com as Três Marias e as estrelas Rigel e Betelgeuse (gigante vermelha), acima de Órion veremos a estrela Sírius da constelação do Cão maior, do lado direito de Órion vemos a constelação Zodiacal de Gêmeos.

Na região Sul destacam-se as constelações do Cruzeiro do Sul, do Centaurus e o Triângulo Austral, é uma otima oportunidade para quem nunca viu o Cruzeiro do Sul para identifica-lo corretamente. A estrela indicada no mapa Rigil Kentaurus, abaixo da estrela Hadar, é a estrela mais próxima de nosso Sol, situada a aproximadamente 4,2 anos luz do Sol. No outro mapa as mesmas constelações, como imaginada pelos antigos.

Astrônomo Ednilson Oliveira

25
mar
11

Duas estrelas em uma: Fusão de binárias de contato

Pela primeira vez foi possível comprovar a fusão de duas estrelas binárias de contato.

Este post é uma adaptação do artigo publicado na Discovery News e fala sobre V1309 Scorpii. Um objeto resultante da fusão de dois núcleos estelares. O artigo base em inglês está aqui e o paper sobre o trabalho aqui.

Para entender o processo, veja a animação a seguir.

Especialistas sugeriram por décadas que estrelas binárias de contato – que giram tão próximas umas das outras a ponto de suas camadas externas entrarem em contato- deviam se misturar ao final do processo. O novo trabalho de Romuald Tylenda do Centro Astronômico Nicolau Copernicus, na Polônia, capturou as estrelas no ato.

O par de estrelas denominado V1309 Sco foi descoberto  em 2008 quando explodiu num flare.

O novo trabalho, que é o primeiro a comprovar a fusão dessas estrelas contou também com a ajuda da sorte. Tylenda percebeu que o Experimento de Lentes Gravitacionais, projeto da Universidade de Varsóvia em busca de matéria escura desde a metade dos anos 90 vinha apontando seu telescópio para a região de V1309 Sco . Passeando pelas mais de 2,000 observações obtidas de 2002 a 2010, ele e seus colegas encontraram variações de luz que sugerem que V1309 Sco era originalmente uma estrela binária de contato, um par de estrelas quase em contato orbitando uma a outra num intervalo de aproximadamente 1.4 dias. Com o passar do tempo esse periodo de variação encurtou à medida que as camadas externas das estrelas encasularam suas órbitas num único envelope.

Nesse ponto o objeto  tornou-se mais brilhante , sua  luz dobrando a cada 19 dias até o último Agosto de 2008, quando brilhou intensamente por 10 dias . A explosão final de V1309 Sco ocorreu naquele mês quando os núcleos das estrelas finalmente se fundiram e a energia de suas rotações combinadas as levaram a entrar em erupção, o que fez o objeto parecer  10,000  vezes mais brilhante que a sua luminosidade original e mais de  30,000  vezes mais brilhante que o Sol.

Então, rapidamente, ele começou a perder o brilho e em questão de poucos meses voltou ao seu brilho original.

A melhor explicação para essas variações é a fusão de um sistema binário de contato, afirma Tylenda e sua equipe.

Embora o objeto resultante deva ser uma estrela, mesmo que com um interior estranho e uma rotação rápida – o material lançado durante a união ainda bloqueia V1309 Sco amplamente, então os  astrônomos não podem ver como ela é. Os pesquisadores pediram tempo no Hubble Space Telescope para observarem o objeto mas pode levar anos para que o disco se dissipe segundo Stefan Kimeswenger da University of Innsbruck na Austria.

Kimeswenger concorda plenamente com a conclusão de que V1309 Sco era uma binária de contato, mas é cético em relação à sugestão do autor de que um cenário de fusão possa explicar flares de uma classe  maior de objetos conhecidos como erupções do tipo V838 Mon, assim chamadas devido a um objeto observado em 2002 (SN 10/14/06, p. 248). “ Todos tem explosões de tipos desconhecidos e tornam-se rapidamente uma concha fria avermelhada,” ele diz, “mas com diferentes energias de erupção e composição química, isso é tudo que eles tem em comum.”

Assim, como Tylenda concorda que é quase certo que V838 Mon não era uma binária de contato, ele acha que fusões estelares de diferentes tipos podem explicar essas erupções.

“ Os objetos possuem as mesmas características básicas, tornam-se extremamente frias (para estrelas) ao final da erupção” diz. Isso indica que a fonte de entergia da erupção diminuiu rapidamente durante a mesma. É exatamente isso que se espera que aconteça quando processos o violento processo de fusão termina.

20
mar
11

Curva de Luz de Eta Carinae

O gráfico abaixo, produzido pelo Observatório Astronômico de La Plata mostra a história de Eta Carinae em forma de gráfico. Chamamos esse tipo de gráfico de Curva de Luz e nele podemos ver as alterações na magnitude da estrela no decorrer dos anos. Assim em 1843, quando Eta Carinae teve sua primeira erupção vemos um pico no qual a estrela alcançou -1 de magnitude, atingindo, na época, brilho semelhante ao de Sírius, a estrela mais brilhante no céu. Nessa ocasião a explosão gerou a nebulosa que chamamos de Homúnculo.

Algumas décadas  mais tarde , justamente quando numa nova erupção Eta Carinae deu origem ao Pequeno Homúnculo, observa-se uma alteração expressiva em sua curva de luz.

Por ser uma estrela variável sua magnitude se altera frequentemente como é possível verificar abaixo .

Curva de luz de Eta Carinae. Crédito:Observatório Astronômico de La Plata.

Sua magnitude atual está em 4.6 aproximadamente como vemos  na curva de luz  de Sebastião Otero, cujo site atualiza os dados sobre Eta Carinae  frequentemente.

Curva de Luz de Sebastião Otero.

20
mar
11

Sonda Messenger em órbita de Mercúrio

No dia 17 de março de  2011, pela primeira vez, uma sonda espacial entrou na órbita de Mercúrio, a Messenger.

O objetivo da missão é estudar o planeta em profundidade. A partir de 29 de março já será possível ver imagens enviadas pela sonda no site da missão aqui

Veja a primeira imagem de Merúrio enviada pela Messenger:

 

Primeira imagem de Mercúrio feita pela Messenger em 29 de Março de 2011

Mas por que Mercúrio?

O site oficial da missão tem uma página com respostas a seis perguntas que justificam a missão e que traduzo a seguir. Cada pergunta é um link para um texto mais aprofundado sobre a questão em inglês.


Mercúrio,Vênus,Terra e Marte são planetas rochosos. Entre estes, Mercúrio é um extremo: o menor, o mais denso (após a correção para a auto-compressão), aquele com a  superfície mais antiga, aquele com as maiores variações diárias de temperatura de superfície e o menos explorado.

Entender essa “membro final” entre os planetas rochosos é essencial para  uma melhor compreensão de como os planetas em nosso Sistema Solar se formaram e evoluíram. Para desenvolver esse entendimento, a missão espacial MESSENGER, pretende responder seis principais questões pendentes que nos permitem compreender Mercúrio como um planeta .

Pergunta1: Por que Mercúrio é tão denso?

A densidade de Mercúrio sugere a existência de um núcleo rico em metal que ocupa pelo menos  60% da massa do planeta, um número duas vezes maior que o da Terra! A MESSENGER vai coletar informações sobre a composição mineralógica do planeta para distinguir, entre as teorias atuais, a razão pela qual Mercúrio é tão denso.

Antes da  missão MESSENGER,apenas 45% da superfície de Mercúrio tinha sido fotografada por uma sonda. Agora a  MESSENGER investigará a história geológica de Mercúrio em riqueza de detalhes, incluindo porções do planeta nunca vistos pela Mariner 10.

Pergunta 3: Qual a natureza do campo magnético de Mercúrio?

Mercúrio tem um campo magnético global interno , como a Terra, mas que Vênus e Marte não possuem. Ao caracaterizar o campo magnético de Mercúrio a MESSENGER ajudará a responder por que os planetas internos diferem em suas histórias magnéticas.

Pergunta 4: Qual é a estrurura do núcleo de Mercúrio?

Por meio da combinação entre medicões do campo gravitacional e observações feitas pelo altímetro a laser se determinará o tamanho do núcleo de Mercúrio e será possível verificar se o núcleo externo do planeta é derretido.

Pergunta  5: Quais são os materiais incomuns nos polos de Mercúrio?

Nos pólos de Mercúrio, algumas crateras possuem áreas permanentemente sombreadas em seu interior e  eles contem material altamente reflexivo. Poderia ser gelo, mesmo sendo Mercúrio o planeta mais próximo ao sol? A MESSENGER descobrirá.

Pergunta 6: Quais voláteis são importantes em Mercúrio?

A MESSENGER medirá a composição da fina exosfera de Mercúrio, fornecendo pistas sobre os processos responsáveis por sua existência.

enhanced color image of mercury with messenger in orbit

Representação artística da sonda Messenger e Mercúrio.

Crédito: NASA

04
mar
11

Mistério Solar Esclarecido

Tenho postado frequentemente vídeos e fotos da recente atividade solar. Esse artigo da CFA relata o trabalho de uma equipe de astrônomos indianos, liderada pelo pesquisador Dibyendu Nandy, que apresenta uma explicação para o último longo período em que o sol esteve inativo. O texto está adaptado e o artigo original em inglês está aqui.

Imagem da NASA-SDO do flare ocorrido em 24 de fevereiro de 2011. Animação de J. Major.

O sol tem sido notícia ultimamente porque tem começado a ejetar mais flares e tempestades. Sua mais recente turbulência em fevereiro é particularmente interessante porque o Sol andou quieto por um longo período. Os astrônomos tiveram muito trabalho para explicar essa atividade mínima do sol. Novas simulações em computadores sugerem que esse longo período sem atividade é resultado da mudança dos fluxos de plasma quente em seu interior.

O Sol é feito de um quarto estado da matéria – o plasma, no qual os elétrons negativos e íons positivos fluem livremente. O plasma fluindo  cria campos magnéticos, que estão no centro da atividade solar como flares, erupções e manchas solares.

Os astrônomos sabem há décadas que a atividade do Sol  aumenta e diminui num ciclo que dura 11 anos em média. Na sua forma mais ativa, no chamado máximo solar, manchas escuras surgem na superfície do Sol e erupções freqüentes enviam bilhões de toneladas de plasma quente para o espaço. Se o plasma atinge a Terra, pode interromper comunicações e redes elétricas e provocar curto-circuitos em satélites .

Durante o mínimo solar, o Sol se acalma e tanto manchas como erupções se tornam raras.  O mínimo solar mais recente teve um número anormalmente longo dos dias sem manchas: 780 dias, entre  2008-2010. Em um típico mínimo solar, o Sol fica sem erupções e manchas por cerca de 300 dias, tornando o último mínimo o mais longo desde 1913.

Foto da Nasa feita pelo SOHO em 2008 mostra ausência de atividade solar

Para estudar o problema, o pesquisador  Muñoz Jaramillo, usou simulações de computador para modelar o comportamento do Sol em mais de 210 ciclos de atividade, o  que abrange cerca de 2.000 anos. Ele observou especificamente o papel dos rios de plasma que circulam no do equador do Sol para latitudes mais altas. Estas correntes de fluxo de plasma são muito parecidas com as correntes do oceano da Terra: aumentam no equador, fluem em em direção aos pólos, para então afundarem e reaparecerem migrando em direção ao equador novamente. A uma velocidade típica de 40 quilômetros por hora, leva cerca de 11 anos para fazer um ciclo.

Muñoz-Jaramillo e seus colegas descobriram que os rios de plasma do Sol aceleram e desaceleram como uma esteira em mal funcionamento. Eles acham que um fluxo mais rápido durante a primeira metade do ciclo solar, seguido por um fluxo mais lento na segunda metade do ciclo, pode levar a um mínimo solar prolongado. A causa da aceleração e da desaceleração e que provavelmente envolve um complicado feedback entre o fluxo de plasma e os campos magnéticos solares.

“É como uma linha de produção – um desaceleração coloca uma distância entre o fim do último ciclo solar e o início de um novo”, diz Muñoz-Jaramillo.

Ilustração baseada no trabalho da equipe de Dibyendu Nandy, Andres Munoz-Jaramillo and Petrus C.H. Martens.Imagem: NASA/Goddard/SDO-AIA/JAXA/Hinode-XRT; Concepção artística: Cygnus-Kolkata/William T. Bridgman.

O objetivo final de estudos como este é estimar os próximos valores solares máximos e mínimos e embora não seja possível prever o próximo mínimo solar, observando as mudanças no fluxo de plasma é possível antecipar possíveis consequências.

02
mar
11

O que são Magnetares?

Magnetares são objetos de impressionante força magnética. Para entender o que é um magnetar é preciso entender o que é uma estrela de nêutrons e um pulsar.Assim,se for necessário, sugiro que você consulte outro post desse blogO que é um pulsar?”

Imagem do Spitzer Space Telescope do Magnetar SGR 1900+14

Fonte: http://chandra.harvard.edu/xray_sources/neutron_stars.html

Magnetares são estrelas de nêutrons com campos magnéticos que são cerca de um quatrilhão de vezes maior do que o campo magnético da Terra e emitem raios X e raios Gama. Acredita-se que esses impressionantes campos magnéticos são produzidos quando uma estrela de nêutrons de rotação extremamente rápida é formada pelo colapso do núcleo de uma estrela massiva. Quando uma estrela de nêutrons se forma, ela desencadeia uma explosão de supernova que expele as camadas exteriores da estrela em altas velocidades.

A alta taxa de rotação da estrela de nêutrons intensifica o campo magnético já super forte para níveis de magnetar. Quando as forças magnéticas ficam fortes o suficiente, eles podem causar starquakes na superfície da estrela de nêutrons que produzem poderosas explosões de raios-X chamado flashes de raios-X. Esses eventos podem representar um tipo intermediário de explosão de supernova – mais energética que uma supernova comum, mas menos do que hipernovas, que acredita-se  ser responsável por explosões de raios gama. Explosões Magnetar também pode ocorrer durante centenas de anos depois da explosão inicial.

O mais forte campo magnético constante produzido na Terra em um laboratório é de cerca de um milhão de vezes maior que o campo magnético da Terra. Para além desse limite, material magnético comum seria destroçado por forças magnéticas.Somente em uma estrela de nêutrons, onde a gravidade é superior a 100 bilhões de vezes a da Terra, pode resistir à força magnética de um magnetar, e mesmo aí a crosta da estrela de nêutrons pode se quebrar sob  a pressão.

A fonte do poder é o campo magnético girando rapidamente, por isso estes pulsares são às vezes chamados pulsares em sistema rotativo ligado, para os distinguir de outro tipo de pulsar descoberto por astrônomos de raios-X, os pulsares alimentados por acresção.

Imagem comparativa de um magnetar antes e depois de entrar em uma fase de erupções em imagem da Nasa.

A imagem acima pode ser obtida em alta resolução aqui.