Arquivo de dezembro \31\UTC 2011

31
dez
11

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 43.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 16 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

29
dez
11

Eta Carinae e o Eco de Luz

Um novo artigo sobre Eta Carinae, agora sobre o fenômeno Eco de Luz ,que ela produz. O artigo é simples mas interessante e foi escrito por  Jon Voisey, da Universe Today. O artigo original pode ser visto aqui.

Outros posts mais completos e atualizados sobre Eta Carinae podem ser vistos nesse blog.

Concepção artística da Grande Erupção em Eta Carinae. Crédito: Gemini Observatory

Na metade do século XIX, a famosa estrela η Carinae passou por uma enorme erupção tornando-se por algum tempo a segunda estrela mais brilhante no céu. Embora os astrônomos naquele tempo não tivessem tecnologia para estudar uma das maiores erupções da história recente em profundidade, astrônomos do Space Telescope Science Institute descobriram recentemente que ecos da luz do evento estão nos atingindo agora. Essa descoberta permite que astrônomos usem instrumentos modernos para estudar η Carinae como era entre 1838 e 1858 quando passou por sua Grande Erupção.


O fenômeno Eco de Luz tem se tornado famoso nos últimos anos depois do exemplo de V838 Monocerotis

Embora  V838 Mon pareça com uma concha de gás se expandindo, o que está sendo mostrado na verdade é luz refletindo conchas de gás e poeira que foram expelidas mais cedo na vida da estrela. A distância extra que a luz teve que viajar para atingir a concha, antes de ser refletida em direção aos observadores na Terra, faz com que a luz chegue mais tarde. No caso de η Carinae, aproximadamente 170 anos mais tarde.

A luz refletida tem suas propriedades modificadas pela movimentação do material que reflete. Em particular, a luz mostra um notável desvio para o azul, dizendo aos astrônomos que o próprio material está viajando a 210 km/sec. Essa observação se encaixa com as previsões teóricas de erupções similares ao do tipo pela qual  η Carinae passou. No entanto, o eco de luz também evidenciou algumas discrepâncias entre as expectativas e as observações.

V838 Mon (Crédito: NASA, European Space Agency and Howard Bond (STScI))

Tipicamente,a erupção de η Carinae é classificada como uma “supernova impostora”. Esse título se dá devido ao fato de que essas erupções criam uma grande mudança no brilho geral da estrela. Mas embora esses eventos possam liberar 10% ou mais da energia total de uma supernova típica, a estrela permanece intacta. O principal modelo para explicar essas erupções é o surgimento de um súbito aumento na saída de energia da estrela que faz com que algumas das camadas sejam ejetadas num vento opaco. A concha de matéria é tão espessa que aumenta muito a área efetiva da superfície de onde a luz é emitida, aumentando assim seu brilho geral. Entretanto, para isso acontecer, os modelos dizem que a temperatura da estrela antes da erupção precisa ser de pelo menos 7.000 K. Analizando-se a luz refletida dos locais da erupção, a temperatura de η Carinae na época do evento era bem menor que 5.000 K. Isso sugere que o modelo mais aceito para o fenômeno está incorreto e que um outro modelo, envolvendo uma explosão energética (uma mini supernova), possa ser a explicação, pelo menos para o caso de  η Carinae

No entanto, esta observação está um tanto em desacordo com as observações feitasnos anos após a erupção. Quando a espectrografia entrou em uso, os astrônomos em 1870 notaram  linhas de emissão no espectro da estrela que saõ mais típicas em estrelas mais quentes. Em 1890, η Carinae teve uma pequena erupção e um espectro fotográfico calculou a temperatura em torno de 6.000 K. Embora isto possa não refletir com precisão o caso da Grande Erupção, ainda é intrigante como a temperatura da estrela pode mudar tão rapidamente e também pode indicar que o modelo preferido do vento-opaco é um ajuste melhor para eventos que ocorrem mais tarde ou para uma erupção menor, o que sugere dois mecanismos diferentes causando resultados semelhantes no mesmo objeto em escalas de tempo curto.

De qualquer forma, η Carinae é um objeto maravilhoso. A equipe também identificou várias outras áreas na concha ao redor da estrela que parecem estar brilhando e passando por seus próprios ecos, que a equipe promete continuar a observar, o que lhes permitirá verificar as suas conclusões.

28
dez
11

Neutrinos mais rápido que a luz? Ainda não.

Neutrinos com velocidade maior que a da Luz? O meio científico foi abalado com o anúncio dessa possibilidade há poucos meses. Mas em ciência é preciso paciência e muitas experimentações para considerarmos um dado como esse como verdade. Um novo paper contradiz o anúncio feito. O texto original pode ser acessado aqui e o abstract aqui. O. texto foi traduzido e adaptado por mim. Mais um sobre esses intrigantes, misteriosos e maravilhosos neutrinos.

Há outros posts sobre neutrinos e sobre física de  partículas nesse blog.

IceCube - Observatório de Neutrinos na Antártica . Crédito da foto: Henry Malmgren/Antarctic Photo Library

 

Em Setembro de 2011 cientistas da OPERA – uma colaboração entre o  Laboratori Nazionali del Gran Sasso (LNGS) em  Gran Sasso, Itália e o  CERN em Genebra anunciaram a detecção de neutrinos com velocidade 60 nanosegundos maior que a da luz.

O interesse que esse anúnico despertou é compreensível. Como considera-se que os neutrinos possuam massa zero, um neutrino FTL (mais rápido que a luz) seria em violação direta  da teoria especial da relatividade, que diz que nenhum objeto com massa pode atingir a velocidade da luz. Ramanath Cowsik (Washington University, St. Louis) e seus colaboradores examinaram se um resultado FTL era possível. Neutrinos no experimento foram produzidos por colisões de partículas que produziram um fluxo de pions. Os pions são instáveis e decaem em muons e neutrinos.

O que Cowsik e sua equipe queriam saber era se o decaimento de pions poderia produzir  neutrinos superluminais, considerando-se a conservação da energia e do momento. O resultado

Mostramos neste paper que se o neutrino que surge de um decaimento de pion fosse mais rápido que a velocidade da luz, a vida do pion se prolongaria, e o neutrino carregaria uma fração de energia menor do que a compartilhada pelo neutrino e o muon.” Diz Cowsik. “Além disso, essas dificuldades só aumentariam com a elevação da energia do pion. Então estamos afirmando que no quadro atual da física, neutrinos superluminais seriam difíceis de produzir”.

Este comunicado de imprensa da Universidade de Washington dá mais detalhes, destacando que um importante controle sobre os resultados OPERA é o Observatório de neutrinos IceCube na Antártica, que detecta os neutrinos de forma diferente do CERN. Raios cósmicos que atingem a atmosfera terrestre produzem neutrinos com energias que  em alguns casos são 10.o00 vezes mais alta que as dos neutrinos do OPERA e que estão registradas pelo IceCube. Esses resultados mostram que os pions de alta energia, d0s quais os neutrinos decaem, geram neutrinos que chegam perto da velocidade da luz mas não a ultrapassam. Isto é apoiado pelos cálculos de conservação de energia e do momento que demonstram que a vida desses neutrinos seria longa demais para que decaíssem em neutrinos superluminais.

The IceCube na Antarctica fornece uma verificação experimental aos cálculos teóricos de Cowsik. De acordo com Cowsik, neutrinos com energias extremamente altas devem aparecer na IceCube somente se neutrinos superluminais forem uma impossibilidade. Como o IceCube consegue ver neutrinos de alta energia, deve haver algo errado com a observação de neutrinos superluminais. Crédito: ICE.WUSTL.EDU / Pete Visitante..ICE.WUSTL.EDU/Pete Guest

Cowsik  observa que os cientistas OPERA trabalharam durante meses à procura de possíveis erros e, como não encontraram nada, publicaram o trabalho numa tentativa de envolver a comunidade científica na resolução do enigma. Desde então, Andrew Cohen e Sheldon Glashow mostraram (na Physical Review Letters)que, se neutrinos superluminais existissem, eles irradiariam energia na forma de pares elétron-pósitron.

“Estamos dizendo que, dada a física como a conhecemos hoje, deve ser difícil produzir neutrinos com velocidades superluminais, e Cohen e Glashow estão dizendo que mesmo que isso fosse feito, eles  rapidamente irradiariam a sua energia e desacelerariam, “Cowsik diz.

27
dez
11

Eta Carinae em 3D

Em comemoração aos 20 anos do telescópio Hubble, muitas imagens e vídeos foram criados. Alguns com efeito 3D. Palavras não são necessárias, afinal o vídeo é de meu objeto favorito no céu.

Senhoras e Senhores, com voces, minha Diva:

 

26
dez
11

Cometa da temporada: Lovejoy

Lovejoy no Chile Fotografado por Pablo Ricardo Muñoz Faúndez.

Cometas com longas caudas são deslumbrantes, mas não é muito comum que sejam vistos a olho nu. Nós, moradores do Hemisfério Sul do planeta, ganhamos em 2011 um belo presente de fim de ano: O cometa Lovejoy!

C/2011 W3 , Lovejoy  é um cometa periódico descoberto em 27 de Novembro de 2011 pelo astrônomo amador australiano Terry Lovejoy

O periélio do cometa aconteceu em 16 de dezembro de 2011 às 00:35 UT.Ninguém esperava que o cometa fosse sobreviver ao encontro com o sol, mas para a surpresa de muitos, ele emergiu da corona solar intacto!

No vídeo a seguir, podemos ver o momento do encontro do cometa com o Sol e como ele sobrevive.

Antes do periélio, estimava-se que o núcleo do cometa tivesse de 100 a 200 metros de diâmetro, mas atualmente estima-se que tivesse pelo menos 500 metros. Sua menor magnitude ficou em torno de -4. É o cometa mais brilhante desde a passagem do McNaught em 2007.

Muitas pessoas tem conseguido observá-lo a olho nu no hemisfério sul e ainda temos mais alguns dias para tentarmos observá-lo. O astrônomo Cristóvão Jacques preparou essa simulação para quem quiser procurar por ele.

Veja as fotos  abaixo feitas por vários astrônomos de de diversos lugares do hemisfério Sul.

Foto de Gustavo Rojas em São Carlos, São Paulo

Foto de Fabiano Cardoso no Paraná

Foto de Rogerio Marcon em Campinas, São Paulo

 

Foto de Renato Poltronieri em Nhandeara, interior de São Paulo

 

Foto de Helder Geraldes em Maputo, Moçambique

Foto de Jeanette Dunphy na Australia

Foto de Denis Weaver no Ceará.

A mais recente foto de Lovejoy feita por seu descobridor Terry Lovejoy.

Encerro com esse filme feito pela ISS do bravo cometa Lovejoy. Todos em busca do belo cometa!!!!