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Eta Carinae e o Eco de Luz

Um novo artigo sobre Eta Carinae, agora sobre o fenômeno Eco de Luz ,que ela produz. O artigo é simples mas interessante e foi escrito por  Jon Voisey, da Universe Today. O artigo original pode ser visto aqui.

Outros posts mais completos e atualizados sobre Eta Carinae podem ser vistos nesse blog.

Concepção artística da Grande Erupção em Eta Carinae. Crédito: Gemini Observatory

Na metade do século XIX, a famosa estrela η Carinae passou por uma enorme erupção tornando-se por algum tempo a segunda estrela mais brilhante no céu. Embora os astrônomos naquele tempo não tivessem tecnologia para estudar uma das maiores erupções da história recente em profundidade, astrônomos do Space Telescope Science Institute descobriram recentemente que ecos da luz do evento estão nos atingindo agora. Essa descoberta permite que astrônomos usem instrumentos modernos para estudar η Carinae como era entre 1838 e 1858 quando passou por sua Grande Erupção.


O fenômeno Eco de Luz tem se tornado famoso nos últimos anos depois do exemplo de V838 Monocerotis

Embora  V838 Mon pareça com uma concha de gás se expandindo, o que está sendo mostrado na verdade é luz refletindo conchas de gás e poeira que foram expelidas mais cedo na vida da estrela. A distância extra que a luz teve que viajar para atingir a concha, antes de ser refletida em direção aos observadores na Terra, faz com que a luz chegue mais tarde. No caso de η Carinae, aproximadamente 170 anos mais tarde.

A luz refletida tem suas propriedades modificadas pela movimentação do material que reflete. Em particular, a luz mostra um notável desvio para o azul, dizendo aos astrônomos que o próprio material está viajando a 210 km/sec. Essa observação se encaixa com as previsões teóricas de erupções similares ao do tipo pela qual  η Carinae passou. No entanto, o eco de luz também evidenciou algumas discrepâncias entre as expectativas e as observações.

V838 Mon (Crédito: NASA, European Space Agency and Howard Bond (STScI))

Tipicamente,a erupção de η Carinae é classificada como uma “supernova impostora”. Esse título se dá devido ao fato de que essas erupções criam uma grande mudança no brilho geral da estrela. Mas embora esses eventos possam liberar 10% ou mais da energia total de uma supernova típica, a estrela permanece intacta. O principal modelo para explicar essas erupções é o surgimento de um súbito aumento na saída de energia da estrela que faz com que algumas das camadas sejam ejetadas num vento opaco. A concha de matéria é tão espessa que aumenta muito a área efetiva da superfície de onde a luz é emitida, aumentando assim seu brilho geral. Entretanto, para isso acontecer, os modelos dizem que a temperatura da estrela antes da erupção precisa ser de pelo menos 7.000 K. Analizando-se a luz refletida dos locais da erupção, a temperatura de η Carinae na época do evento era bem menor que 5.000 K. Isso sugere que o modelo mais aceito para o fenômeno está incorreto e que um outro modelo, envolvendo uma explosão energética (uma mini supernova), possa ser a explicação, pelo menos para o caso de  η Carinae

No entanto, esta observação está um tanto em desacordo com as observações feitasnos anos após a erupção. Quando a espectrografia entrou em uso, os astrônomos em 1870 notaram  linhas de emissão no espectro da estrela que saõ mais típicas em estrelas mais quentes. Em 1890, η Carinae teve uma pequena erupção e um espectro fotográfico calculou a temperatura em torno de 6.000 K. Embora isto possa não refletir com precisão o caso da Grande Erupção, ainda é intrigante como a temperatura da estrela pode mudar tão rapidamente e também pode indicar que o modelo preferido do vento-opaco é um ajuste melhor para eventos que ocorrem mais tarde ou para uma erupção menor, o que sugere dois mecanismos diferentes causando resultados semelhantes no mesmo objeto em escalas de tempo curto.

De qualquer forma, η Carinae é um objeto maravilhoso. A equipe também identificou várias outras áreas na concha ao redor da estrela que parecem estar brilhando e passando por seus próprios ecos, que a equipe promete continuar a observar, o que lhes permitirá verificar as suas conclusões.

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4 Responses to “Eta Carinae e o Eco de Luz”


  1. 1 marcony miguel
    abril 25, 2012 às 1:24 am

    Denise na moral eu to apaixonado com a eta, eu nao paro de pesquisar, fico olhando o ceu pensando como pode tem uma coisa tao… sim… nao tenho nem palavras e maquinifico. Adorei a reportagens seu blog esta nota 10.000.000 anos luz… meus parabeis

    • 2 deniseselmo
      abril 25, 2012 às 1:43 am

      Ola!
      Agora você então já entendeu porque Eta Carinae é minha maior paixão no céu,não é?
      Muito Obrigada pelas palavras de incentivo.

  2. 3 Pedro
    junho 14, 2012 às 12:25 am

    Denise meus parabéns pelo blog, Acho eu que deveria ser um cometa errante a vagar no confins do universo…


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