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Exoplanetas: os novos dados da sonda Kepler

Há tão pouco tempo vibrávamos com a confirmação dos primeiros exoplanetas. É incrível constatar a eficiência da sonda Kepler e do quanto tem contribuído para sabermos mais sobre essa nova e fascinante área da astronomia. O artigo a seguir, que traduzi e adaptei foi escrito por Nancy Atkinson na Universe Today e baseia-se em informações da Harvard Smithsonian CFA, AAS Conferência de Imprensa. O artigo original pode ser acessado aqui. Há mais artigos sobre a missão Kepler e a descoberta de exoplanetas nesse blog.

Kepler_tabela

 

Crédito: F. Fressin (CfA)

A última análise de dados da sonda caça-planetas Kepler revela que quase todas as estrelas têm planetas, e cerca de 17 por cento das estrelas têm um planeta do tamanho da Terra em uma órbita mais próxima do que a de Mercúrio. Considerando-se que a Via Láctea tem cerca de 100 bilhões de estrelas, há pelo menos 17.000 milhões de mundos do tamanho da Terra lá fora, de acordo com François Fressin do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (CFA) Além disso, ele disse que quase todas as estrelas semelhantes ao Sol têm sistemas planetários.

O grande objetivo da sonda Kepler é encontrar um gêmeo da Terra – um planeta de aproximadamente  mesmo tamanho e na zona habitável em torno de estrela semelhante. As chances de encontrar um planeta assim está se tornando cada vez mais provável Fressin disse, já que a mais recente análise mostra que planetas pequenos são igualmente comuns em torno de estrelas pequenas e grandes.

Embora a lista de candidatos a planetas da Kepler contenha a maioria do conhecimento que temos sobre exoplanetas, Fressin disse que o catálogo ainda não está completo e que o catálogo não é puro. “Há pontos positivos falsos originados de eventos como binárias eclipsantes e outras configurações astrofísicas que podem imitar os sinais de planeta”, disse Fressin.

Ao fazer uma simulação da pesquisa da Kepler e analisando os falsos positivos, percebeu-se que eles só podem responder por 9,5% do número enorme de  da Kepler.  

Ao todo, os pesquisadores descobriram que 50 por cento das estrelas têm  planeta do tamanho da Terra ou maior em uma órbita próxima. Pela adição de planetas maiores, que foram detectadas em órbitas mais largas, até a distância orbital da Terra, este número atinge os 70 por cento.

Extrapolando a partir de observações atualmente em curso da Kepler e os resultados de outras técnicas de detecção, parece que praticamente todas as estrelas do tipo solar têm planetas.

A equipe, então, agrupou os planetas em cinco tamanhos diferentes. Eles descobriram que 17 por cento das estrelas têm um planeta 0,8-1,25 vezes o tamanho da Terra em uma órbita de 85 dias ou menos. Cerca de um quarto das estrelas têm uma super-Terra (1,25-2 vezes o tamanho da Terra) numa órbita de 150 dias ou menos. (Planetas maiores podem ser detectados a distâncias maiores mais facilmente.) A mesma fração de estrelas possui um mini-Netuno (2 – 4 vezes o tamanho da Terra) em órbitas de até 250 dias de duração.

Planetas maiores são muito menos comuns. Apenas cerca de 3 por cento de estrelas têm um grande Netuno (4 – 6 vezes a Terra), e apenas 5 por cento das estrelas tem um gigante de gás (6 – 22 vezes a Terra) em uma órbita de 400 dias ou menos.

Os pesquisadores também quiseram descobrir se determinados tamanhos dos planetas são mais ou menos comuns em torno de certos tipos de estrelas. Eles descobriram que, para cada tamanho planeta, exceto gigantes de gás, o tipo de estrela não importa. Netunos são encontrados com a mesma frequência em torno de anãs vermelhas como em torno de estrelas como o sol. O mesmo é verdadeiro para os mundos menores. Isto contradiz achados anteriores.

“Terras e super-Terras não são uma raridade. Estamos encontrando-os em todos os tipos de vizinhanças “, diz o co-autor Guillermo Torres do CFA.

Planetas mais próximos de suas estrelas são mais fáceis de encontrar porque seus trânsitos ocorrem com mais frequência. À medida que mais dados forem sendo recolhidos, planetas em órbitas maiores virão à luz. A missão estendida de Kepler, lhe permitirá detectar planetas do tamanho da Terra em distâncias maiores, incluindo órbitas semelhantes à Terra na zona habitável.

A  sonda Kepler detecta candidatos  a planetas usando o método de trânsito, em que um  planeta ao passar em frente a sua estrela cria um mini-eclipse que ofusca a estrela ligeiramente.

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3 Responses to “Exoplanetas: os novos dados da sonda Kepler”


  1. janeiro 25, 2013 às 11:49 pm

    Ainda me lembro do entusiasmo que senti quando foi anunciada a descoberta do primeiro exoplaneta. Naquele tempo em que eu era um adolescente, estava muito longe de imaginar que passados estes anos centenas de outros exoplanetas seriam descobertos. Podemos esperar que essas descobertas vão aumentar bastante nos próximos anos.

    • 2 deniseselmo
      janeiro 31, 2013 às 6:07 pm

      Ola
      Com certeza! Em pouco tempo achar exoplanetas será algo muito comum e nem chamará mais tanta atenção. É um vastíssimo campo para astrônomos profissionais e amadores que terão muito o que pesquisar na área. E nós estaremos de olho, não é mesmo?
      Denise

      • janeiro 31, 2013 às 11:46 pm

        Olá Denise. É verdade, a descoberta de tantos exoplanetas está a tornar-se algo bem comum que já passa despercebido. Extraordinário seria daqui a uns anos termos telescópios suficientemente desenvolvidos que permitissem vermos alguns pormenores destes planetas. Parece-me que ainda estamos muito longe disso, dada as distâncias enormes que estamos desses mesmos planetas. Uma coisa é observar um planeta do Sistema Solar, outra coisa bem diferente é observar planetas a dezenas de anos-luz de distância. Provavelmente um dia conseguiremos, mas creio que ainda temos que esperar uns bons anos.


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