Posts Tagged ‘Observação

29
ago
14

Cometa Jacques: Galeria

Na noite de 13 de março de 2014, a equipe SONEAR, composta pelos astrônomos amadores Cristóvão Jacques, Eduardo Pimentel e João Ribeiro de Barros descobriram um novo cometa que foi batizado de Cometa C/2014 E2 Jacques, em crédito a um de seus descobridores.  Foi emocionante ver reconhecido o trabalho sério e competente desses 3 astrônomos que há anos se dedicam à pesquisa e observação de cometas, asteroides e NEOs. 

Para a astronomia amadora brasileira foi um momento muito importante e para mim um momento de muito orgulho e alegria. Desde lá o cometa vem sendo documentado por diversos talentosos astrofotógrafos em seu passeio pelo céu.

 Dados em tempo real do cometa podem ser obtidos no site livecometdata e dados atualizados podem ser encontrados no Heavens Above

Compartilho agora com vocês imagens do Cometa Jacques.

Cred:Paulo Casquinha

Cred:Paulo Casquinha

Cred: Andrew Johnson

Cred: Andrew Johnson

Cred: Rolando Ligustri

Cred: Rolando Ligustri

Cred: Stefano Quaresima

Cred: Stefano Quaresima

Cred: Mestre Pedro Ré

Cred: Mestre Pedro Ré

Cred: Frits Hemmerich

Cred: Frits Hemmerich

Imagem do querido Efrain Morales

 

 

Cred: Efraim Morales

Cred: Efrain Morales

 

Imagem de meu querido amigo John Chumack.

 

Querido amigo John Chumack

Cred: John Chumack

Imagens do imbatível Damian Peach

 

Cred: Damian Peach

Cred: Damian Peach

Cred: Damian Peach

Cred: Damian Peach

Um vídeo de Dan Abbott mostra o passeio do cometa Jacques pela constelação de Cassiopeia.

12
fev
14

Vênus: brilho intenso nas madrugadas de fevereiro

O blog Space.com nos lembra da beleza que o brilho de Júpiter está nos proporcionando nesse mês de fevereiro.

O texto  escrito por Geoff Gaherty da Starry Night Education, está resumido e adaptado e o original pode ser acessado aqui

Vênus fotografado por Alan Friedman.

Vênus fotografado por Alan Friedman.

Normalmente o brilho de Vênus, como a maioria dos objetos no espaço, diminui quanto mais longe fica da Terra. No entanto, à medida que Vênus vai se movendo em  torno do sol, vai sendo iluminado a partir de ângulos diferentes, e isso também afeta o seu brilho.
Esta semana, a distância do planeta da Terra e seu ângulo em relação ao sol se combinam para que Vênus mostre mais de sua superfície reflexiva do que em qualquer outro ponto na órbita do sol, fazendo com que o planeta brilhe no seu máximo. Infelizmente, os observadores só podem ver Vênus em seu período mais brilhante, ao se levantar cedo pela manhã. A sua localização, a oeste do sol atual faz com que seja uma “estrela da manhã” subindo duas horas antes do sol.

A magnitude de Vênus quando está em seu período menos brilhante é de -3.8. Essa semana ele chegará a uma magnitude de – 4.9. 

O que isso significa? 

Bem, Sírius, a estrela mais brilhante no céu tem uma magnitude de 1.44. A magnitude de Vênus esta semana é portanto 3.5 vezes mais brilhante do que Sírius. 

Costumava-se dizer que Vênus era o objeto mais brilhante no céu depois do sol e da lua, mas isso já não é verdade. A Estação Espacial Internacional, com seus enormes painéis solares, agora supera Vênus por uma margem confortável. Mesmo assim, vale a pena acordar mais cedo e olhar pela janela a cada amanhecer desses dias de fevereiro.

Vênus em fase fotografado por John Chumack.

Vênus em fase, fotografado por John Chumack.

14
dez
13

2013: Ano das Novas – Nova Centauri 2013

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Crédito: Yuri Beletsky. APOD de 7 de dezembro de 2013.

2013 começou com a possibilidade de ser batizado como o “Ano dos Cometas“, mas entrará para a história como o “ Ano das Novas”. Em Agosto o espetáculo foi dado por Nova Delphini. Em dezembro fomos presenteados com Nova Centauri 2013. 

Muita bobagem foi dita sobre Novas esse ano. A pior delas, certamente, é a que diz que coma a Nova 2013 “surgiu uma nova estrela no céu” Uma Nova é o resultado de um fenômeno que acontece em um sistema no qual uma das estrelas é uma anã branca. Assim, a estrela não só não surgiu, como uma delas já “morreu”.

O nome Nova vem do fato de por algum tempo esse sistema se tornar tão visível que parece ter surgido uma estrela onde antes não se avistava estrela alguma. Em poucos dias ou semanas esse brilho diminuirá e não se verá mais a Nova.

O texto abaixo foi adaptado de um artigo escrito por Michael J.I. Brown para o site theconversation.com e explica de forma bem simples o fenômeno. 

Na segunda parte incluo fotos que ajudam a localizar a Nova.

Crédito: Rogério Marcon

Crédito: Rogério Marcon

 

Nova Centauri 2013

Nós que moramos no hemisfério sul estamos tendo a sorte de testemunhar as consequências de uma explosão nuclear.

Nova Centauri 2013, foi descoberta pelo astrônomo amador australiano John Seach e é tão brilhante, que pode ser vista atualmente a olho nu.

Quando olhamos para o céu à noite, a maioria das estrelas que vemos são como sóis. Essas estrelas são enormes esferas de hidrogênio e gás hélio, unidas pela força da gravidade. Em seus núcleos, o hidrogênio se funde em hélio via fusão nuclear e da energia liberada pela fusão nuclear estrelas podem ser alimentadas por bilhões de anos.Entretanto, Nova Centauri 2013 é um tipo de estrela muito diferente de nosso Sol e não estará visível no céu por muito tempo..

Estrelas podem viver por milhões ou bilhões de anos, mas não para sempre. Quando as estrelas esgotam seu combustível para fazer a fusão nuclear, a gravidade faz com que elas colapsem em si mesmas.

Para as estrelas maiores, a consequência é uma supernova, uma reação em cadeia de explosões nucleares tão violentas que a estrela é em grande parte destruída.

Já estrelas como o nosso Sol tem mortes mais silenciosas. A estrela que está morrendo fica sem combustível e colapsa em uma anã branca que vai perdendo suas camadas exteriores para o meio interestelar e com o tempo, esfriará . A anã branca tem massa semelhante a uma estrela, mas apenas aproximadamente o tamanho de nosso planeta. Algumas estrelas anãs brancas, incluindo aquele que produziu Nova Centauri 2013, orbitam estrelas companheiras. Devido à força da gravidade, essas anãs brancas roubam hidrogênio e gás hélio de suas companheiras.

Nova-diagram-NASA-400x290Concepção artística de uma anã branca roubando gás de uma estrela companheira. Crédito NASA.

A gravidade de uma anã branca é inacreditável. Se você pesa 70 kg sobre a superfície da Terra , você pesaria 7.000 toneladas na superfície de uma anã branca . Hidrogênio e gás hélio são o combustível para a fusão nuclear. Por causa da imensa gravidade,o gás está sob enorme pressão . Quando a anã branca acresce uma quantidade de gás suficiente,as temperaturas e pressões se tornam tão altas que possibilitam que o gás se submeta espontaneamente a uma fusão nuclear explosiva.

Novas, incluindo Nova Centauri de 2013, são produzidas por explosões nucleares espetaculares nas superfícies das estrelas “mortas”. Estas explosões são muito maiores do que as produzidas por bombas atômicas. Na verdade, eles são tão brilhantes que podem ser vistas a partir de anos-luz de distância.

Encontrando a Nova

Nova Centauri 2013 está bem próxima do Cruzeiro do Sul. Se vocè achar o Cruzeiro, verá duas estrelas muito brilhantes que apontam para ele. São Alfa e Beta Centauro, conhecidas no Brasil, como as “Guardiãs do Cruzeiro. Nova Centauri está bem próxima de Beta Centauri, a guardiã mais próxima do Cruzeiro do Sul.

A seguir imagens para ajudar você na localização da Nova Cen 2013

Crédito: Randy Johnson

Crédito: Randy Johnson

A nova vista de São Paulo em belíssimo registro de Leandro Torres

Crédito: Leandro Torres

Crédito: Leandro Torres

Nova_Centauri_2013_Chile

Crédito: ESO

27
out
13

Cometa Lovejoy: video

Meu querido amigo John Chumack registrou em vídeo o passeio do cometa Lovejoy /2013

Estamos todos ansiosos pela passagem do ISON, cometa que promete ser o cometa do século (se sobreviver ao seu encontro com o sol, claro.) , mas o Lovejoy tem também sido um belo objeto de observação em 2013.

Cometas são objetos fantásticos  e é incrível a velocidade com a qual se deslocam como podemos constatar aqui.

No primeiro vídeo o cometa passeia pela constelação do Cão Menor.

 

Dias depois o cometa está em Leão

17
ago
13

Nova na constelação do Golfinho! Nova X Supernova

Nova_John_2013

A nova na região da constelação do Golfinho é o acontecimento astronômico do mês de agosto!!!

Facilmente localizável e visível em boa parte de ambos os hemisférios, a nova vem sendo discutida e documentada das mais diversas formas.

Tenho visto alguns equívocos no conceito do termo nova, às vezes confundido com uma Supernova.

Mas o que é uma Nova?

 Qual a diferença entre uma Nova e uma Supernova?

Na verdade os conceitos são bem diferentes um do outro. Vejamos:

O que é uma Nova?

A Nova é um brilho repentino que se espalha por toda a superfície de uma anã branca. A estrela anã branca ,de repente e, temporariamente,se torna extremamente brilhante como resultado da explosão em sua superfície decorrente de material acrescido de uma estrela companheira. O material, principalmente de hidrogênio e hélio, é atraído pela gravidade da anã branca e se acumula sob pressão e calor crescente até que a fusão nuclear é iniciada. Ao contrário de uma supernova, uma nova  regressa gradualmente ao seu brilho original ao longo de um período que pode ir de semanas a anos.

O nome Nova se deu por causa de sua súbita aparição. Por surgir onde não eram avistadas antes, foram consideradas  “novas estrelas”. Desde 1925, as Novas são classificados como estrelas variáveis​​.

Isso não causa nenhum tipo de impacto enorme em dimensões ou propriedades da anã branca e, portanto, pode acontecer repetidas vezes, enquanto sua estrela companheira estiver perto o suficiente.

O que é uma Supernova?

Supernova, por outro lado, é uma destruição quase completa de uma estrela que não conseguiu resistir a sua própria gravidade, ao atingir uma certa massa limite no final do seu consumo de combustível -aproximadamente 1,4 massas solares- conhecido como limite Chandrashekar. A estrela  explode devido a dois fatores:  instabilidades  após o esgotamento do seu combustível nuclear; ou colapso gravitacional após a acreção de matéria de uma estrela companheira de órbita. A onda de choque resultante ejeta  a matéria em torno do núcleo  para o espaço, formando uma estrela de nêutrons ou um buraco negro no local do colapso do núcleo. Obviamente, isso acontece apenas uma vez para uma estrela que supostamente atinge ou ultrapassa o limite Chandrashekar, depois de queimar seu combustível por completo, ao contrário da Nova.

O que buscamos na Nova em Delphini?

Diante do evento, astrônomos profissionais e amadores buscarão estimar a magnitude do objeto nas semanas a seguir. A Nova ficará mais brilhante? Menos? Por quanto tempo ficará visível?

Diferentes tipos de instrumentos serão usados para observá-la e documentar sua evolução para compará-la com outras já ocorridas e aprofundar o entendimento do que está acontecendo no processo de evolução estelar desse astro.

. A seguir algumas imagens já obtidas nessas primeiras semanas de Agosto de 2013,

 A primeira que escolhi é a do astrofotógrafo australiano Tom Harradine do grupo IceInSpace.

Nova_IIS_2013

A próxima é da querida amiga Jeanette Lamb.

Nova_Jeanette_2013

A terceira é de Claude Kirchen,

Nova_ClaudeKirchen_2013

Agora em céus brasileiros, duas imagens de Renato Poltronieri.

Atenção para a constelação do Golfinho por inteiro na imagem.
Atenção para a constelação do Golfinho por inteiro na imagem.

Nova_Renato_2013_2

A seguir um espectro da Nova obtido por Rogerio Marcon

Nova_espectro_Marcon

A fotometria com a curva de luz da Nova como publicada pela AAVSO

Nova_fotometriaAAVSO_2013

E finalmente uma animação produzida no CEAMIG por Cristóvao Jaques.

Nova_Cristovao_2013

A Nova é no momento visível ao telescópio e também com binóculos, embora obviamente possa ser impossibilitada em noites de muita poluição luminosa nas capitais e grandes metrópoles de nosso país.

05
ago
13

Tratando imagens

Todos sabem de minha admiração pelo trabalho dos astrofotógrafos. Eles nos trazem  as maravilhas do Universo com imagens que nos surpreendem e emocionam de tal forma, que ao vermos suas belíssimas imagens não paramos para pensar o trabalho que deu produzi-las.

Um bom astrofotógrafo, além de capturar a imagem, precisa  tratá-la, processá-la antes de publicar o retrato daquele pedaço do firmamento que nos encanta. Muitas vezes, o astrofotógrafo trabalha exaustivamente uma imagem e ainda assim não fica satisfeito com o resultado final, mesmo que a maioria das pessoas o considerem belíssimo.

Veja o exemplo que o astrofotógrafo Conrado Serodio compartilhou recentemente: Este é um vídeo de Saturno com imagens capturadas por ele num céu bastante turbulento.  A indicação do equipamento usado está na abertura do vídeo.

 

 

Após ver o vídeo é fácil perceber que até o ato  ajustar o foco, mesmo para um astrofotógrafo experiente, se torna uma tarefa dificílima. Saturno está praticamente “dançando” na imagem. Muitas das imagens que vemos no vídeo foram então empilhadas e processadas em softwares especializados para gerar uma imagem final mais nítida. Finalmente após o processamento de 1000 dos 1600 frames captados, com Castrator, AS!2 e Registax 6 , a imagem ficou assim:

 

Saturno processado por Conrado Serodio

Saturno processado por Conrado Serodio

 Agradeço a Conrado Serodio por me ceder suas imagens para este post.

30
jun
13

Ring Nebula

O Telescópio Hubble produziu a mais detalhada imagem já feita da Ring Nebula, A nebulosa do Anel (Messier 57). 

A imagem revela a estrutura complexa já detectada em observações anteriores e permitiu que os astrônomos construíssem um modelo 3D da nebulosa – mostrando assim a real forma do objeto.

Descoberta  no século XVIII, essa nebulosa planetária está relativamente próxima à Terra (aproximadamente 2000 anos-luz) e fica na constelação da Lira

A imagem de M 57 aos quais estamos acostumados é da região mais brilhante da nebulosa, como na foto abaixo.

Ring Nebula. Cred: NASA/ESA Hubble

Ring Nebula. Cred: NASA/ESA Hubble

 

A seguir  a imagem do que os cientistas do Hubble chamaram de a verdadeira forma da nebulosa.

RingModel_2013

 

Fonte: http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2013/13/image/a/